{"id":37,"date":"2003-12-05T17:42:49","date_gmt":"2003-12-05T17:42:49","guid":{"rendered":"http:\/\/66.98.146.66\/~nanda\/blog\/?p=37"},"modified":"2015-04-05T13:16:55","modified_gmt":"2015-04-05T13:16:55","slug":"19-ano","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nandabalieiro.com.br\/blog\/2003\/12\/19-ano\/","title":{"rendered":"19 anos"},"content":{"rendered":"<p><em>Anivers\u00e1rio (Alvaro de Campos)<\/em><\/p>\n<p><em><\/em>No tempo em que festejavam o dia dos meus anos,<br \/>\nEu era feliz e ningu\u00e9m estava morto.<br \/>\nNa casa antiga, at\u00e9 eu fazer anos era uma tradi\u00e7\u00e3o de h\u00e1 s\u00e9culos,<br \/>\nE a alegria de todos, e a minha, estava certa com uma religi\u00e3o qualquer.<br \/>\nNo tempo em que festejavam o dia dos meus anos,<br \/>\nEu tinha a grande sa\u00fade de n\u00e3o perceber coisa nenhuma,<br \/>\nDe ser inteligente para entre a fam\u00edlia,<br \/>\nE de n\u00e3o ter as esperan\u00e7as que os outros tinham por mim.<br \/>\nQuando vim a ter esperan\u00e7as, j\u00e1 n\u00e3o sabia ter esperan\u00e7as.<br \/>\nQuando vim a.olhar para a vida, perdera o sentido da vida.<\/p>\n<p>Sim, o que fui de suposto a mim-mesmo,<br \/>\nO que fui de cora\u00e7\u00e3o e parentesco.<br \/>\nO que fui de ser\u00f5es de meia-prov\u00edncia,<br \/>\nO que fui de amarem-me e eu ser menino,<br \/>\nO que fui \u0097 ai, meu Deus!, o que s\u00f3 hoje sei que fui&#8230;<br \/>\nA que dist\u00e2ncia!&#8230;<br \/>\n(Nem o acho&#8230; )<br \/>\nO tempo em que festejavam o dia dos meus anos!<\/p>\n<p>O que eu sou hoje \u00e9 como a umidade no corredor do fim da casa,<br \/>\nPondo grelado nas paredes&#8230;<br \/>\nO que eu sou hoje (e a casa dos que me amaram treme atrav\u00e9s das minhas l\u00e1grimas),<br \/>\nO que eu sou hoje \u00e9 terem vendido a casa,<br \/>\n\u00c9 terem morrido todos,<br \/>\n\u00c9 estar eu sobrevivente a mim-mesmo como um f\u00f3sforo frio&#8230;<\/p>\n<p>No tempo em que festejavam o dia dos meus anos &#8230;<br \/>\nQue meu amor, como uma pessoa, esse tempo!<br \/>\nDesejo f\u00edsico da alma de se encontrar ali outra vez,<br \/>\nPor uma viagem metaf\u00edsica e carnal,<br \/>\nCom uma dualidade de eu para mim&#8230;<br \/>\nComer o passado como p\u00e3o de fome, sem tempo de manteiga nos dentes!<\/p>\n<p>Vejo tudo outra vez com uma nitidez que me cega para o que h\u00e1 aqui&#8230;<br \/>\nA mesa posta com mais lugares, com melhores desenhos na loi\u00e7a, com mais copos,<br \/>\nO aparador com muitas coisas \u0097 doces, frutas, o resto na sombra debaixo do al\u00e7ado,<br \/>\nAs tias velhas, os primos diferentes, e tudo era por minha causa,<br \/>\nNo tempo em que festejavam o dia dos meus anos. . .<\/p>\n<p>P\u00e1ra, meu cora\u00e7\u00e3o!<br \/>\nN\u00e3o penses! Deixa o pensar na cabe\u00e7a!<br \/>\n\u00d3 meu Deus, meu Deus, meu Deus!<br \/>\nHoje j\u00e1 n\u00e3o fa\u00e7o anos.<br \/>\nDuro.<br \/>\nSomam-se-me dias.<br \/>\nSerei velho quando o for.<br \/>\nMais nada.<br \/>\nRaiva de n\u00e3o ter trazido o passado roubado na algibeira! &#8230;<\/p>\n<p>O tempo em que festejavam o dia dos meus anos!&#8230;<\/p>\n<p>Infelizmente n\u00e3o existe mais festinhas, bolo e brigadeiros.. mas existem as amizades e os abra\u00e7os, que valem mais do que qualquer brigadeiro&#8230;<br \/>\nE\u00a0os salgadinhos da m\u00e3e da cl\u00e1udia, \u00e9 claro&#8230;<\/p>\n<p>Estou quase indo embora da cl\u00ednica depois de me entupir de riz\u00f3lis e bolinhas de queijo&#8230;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Anivers\u00e1rio (Alvaro de Campos) No tempo em que festejavam o dia dos meus anos, Eu era feliz e ningu\u00e9m estava morto. 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