{"id":569,"date":"2008-11-10T00:01:03","date_gmt":"2008-11-10T02:01:03","guid":{"rendered":"http:\/\/nandabalieiro.org\/blog\/?p=569"},"modified":"2015-04-05T13:18:57","modified_gmt":"2015-04-05T13:18:57","slug":"rapidinhas-5","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/nandabalieiro.com.br\/blog\/2008\/11\/rapidinhas-5\/","title":{"rendered":"Rapidinhas&#8230;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Final de ano tudo fica mais intenso: muuuito servi\u00e7o do trabalho, muitos trabalhos na faculdade, isso inclui relat\u00f3rios de est\u00e1gio, projeto para TCC, provas, correria de final de ano b\u00e1sica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Como fiel procrastinadora que sou, sempre deixo tudo pra depois. Estou nesse momento terminando o relat\u00f3rio final de est\u00e1gio que preciso entregar amanh\u00e3. Detalhe: comecei a fazer tem uma meia hora. Como al\u00e9m de procrastinadora sou super otimista, sempre sei que vai ficar bom no final. Assim eu espero.<\/p>\n<p>Eu li um texto muito phoda no blog da <a href=\"http:\/\/mozinha.com\/\" target=\"_blank\">M\u00f4nica<\/a> que vou colocar aqui:<\/p>\n<p>O texto \u00e9<a href=\"http:\/\/blog.mafaldacrescida.com.br\/\"> dela<\/a>.<br \/>\n<strong>O que pode criar um monstro? <\/strong><\/p>\n<blockquote><p>O que leva um rapaz de 22 anos a estragar a pr\u00f3pria vida e a vida de outras duas jovens por\u0085 Nada?<br \/>\nSer\u00e1 que \u00e9 \u00edndole?<br \/>\nTalvez, a m\u00eddia?<br \/>\nA influ\u00eancia da televis\u00e3o?<br \/>\nA situa\u00e7\u00e3o social da viol\u00eancia?<br \/>\nTraumas?<br \/>\nRaiva contida?<br \/>\nDefici\u00eancia social ou mental?<br \/>\nPermissividade da sociedade?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que faz algu\u00e9m achar que pode comprar armas de fogo, entrar na casa de uma fam\u00edlia, fazer ref\u00e9ns, assustar e desalojar vizinhos, ocupar a pol\u00edcia por mais de 100 horas e atirar em duas pessoas inocentes? O rapaz deu a resposta: <strong>\u0093ela n\u00e3o quis falar comigo<\/strong>\u0094. A garota disse n\u00e3o, n\u00e3o quero mais falar com voc\u00ea. E o garoto, dizendo que ama, n\u00e3o aceitou um n\u00e3o. Seu desejo era mais importante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o quero ser mais um desses psic\u00f3logos de araque que infestam os programas vespertinos de televis\u00e3o, que explicam tudo de maneira muito simplista e falam descontextualizadamente sobre a vida dos outros sem serem chamados. Mas ontem, enquanto n\u00e3o conseguia dormir pensando nesse absurdo todo, pensei que o n\u00e3o da menina Elo\u00e1 foi o \u00fanico. Faltaram muitos outros n\u00e3os nessa hist\u00f3ria toda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Faltou um pai e uma m\u00e3e dizerem que a filha de 12 anos N\u00c3O podia namorar um rapaz de 19. Faltou uma outra m\u00e3e dizer que N\u00c3O iria sucumbir ao medo e ir l\u00e1 tirar o filho do tal apartamento a pux\u00f5es de orelha. Faltou outros pais dizerem que N\u00c3O iriam atender ao pedido de um policial maluco de deixar a filha voltar para o cativeiro de onde, com sorte, j\u00e1 tinha escapado com vida. Faltou a pol\u00edcia dizer N\u00c3O ao pr\u00f3prio planejamento err\u00f4neo de mandar a garota de volta pra l\u00e1. Faltou o governo dizer N\u00c3O ao sensacionalismo da imprensa em torno do caso, que permitiu que o tal sequestrador conversasse e chorasse compulsivamente em todos os programas de TV que o procuraram. Simples assim. N\u00c3O. Pelo jeito, a \u00fanica que disse n\u00e3o nessa hist\u00f3ria foi punida com uma bala na cabe\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O mundo est\u00e1 carente de n\u00e3os. Vejo que cada vez mais os pais e professores morrem de medo de dizer n\u00e3o \u00e0s crian\u00e7as. Mulheres ainda t\u00eam medo de dizer n\u00e3o aos maridos ( e alguns maridos, temem dizer n\u00e3o \u00e0s esposas ). Pessoas t\u00eam medo de dizer n\u00e3o aos amigos. Noras que n\u00e3o conseguem dizer n\u00e3o \u00e0s sogras, chefes que n\u00e3o dizem n\u00e3o aos subordinados, gente que n\u00e3o consegue dizer n\u00e3o aos pr\u00f3prios desejos. E assim s\u00e3o criados alguns monstros. Talvez alguns n\u00e3o cheguem a sequestrar pessoas. Mas t\u00eam pequenos surtos quando escutam um n\u00e3o, seja do guarda de tr\u00e2nsito, do chefe, do professor, da namorada, do gerente do banco. Essas pessoas acabam crendo que abusar \u00e9 normal. E \u00e9 legal.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os pais dizem, \u0093n\u00e3o posso traumatizar meu filho\u0094. E n\u00e3o \u00e9 raro eu ver alguns tomando tapas de beb\u00eas com 1 ou 2 anos. Outros gastam o que n\u00e3o t\u00eam em brinquedos todos os dias e festas de anivers\u00e1rio fara\u00f4nicas para suas crias. Sem falar nos adolescentes. Hoje em dia, \u00e9 dif\u00edcil ouvir algu\u00e9m dizer n\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o pode bater no seu amiguinho. N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o vai assistir a uma novela feita para adultos. N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o vai fumar maconha enquanto for contra a lei. N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o vai passar a madrugada na rua. N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o vai dirigir sem carteira de habilita\u00e7\u00e3o. N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o vai beber uma cervejinha enquanto n\u00e3o fizer 18 anos. N\u00e3o, essas pessoas n\u00e3o s\u00e3o companhias pra voc\u00ea. N\u00e3o, hoje voc\u00ea n\u00e3o vai ganhar brinquedo ou comer salgadinho e chocolate. N\u00e3o, aqui n\u00e3o \u00e9 lugar para voc\u00ea ficar. N\u00e3o, voc\u00ea n\u00e3o vai faltar na escola sem estar doente. N\u00e3o, essa conversa n\u00e3o \u00e9 pra voc\u00ea se meter. N\u00e3o, com isto voc\u00ea n\u00e3o vai brincar. N\u00e3o, hoje voc\u00ea est\u00e1 de castigo e n\u00e3o vai brincar no parque.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Crian\u00e7as e adolescentes que crescem sem ouvir bons, justos e firmes N\u00c3OS crescem sem saber que o mundo n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 deles. E a\u00ed, no primeiro n\u00e3o que a vida d\u00e1 ( e a vida d\u00e1 muitos ) surtam. Usam drogas. Compram armas. Transam sem camisinha. Batem em professores. Furam o pneu do carro do chefe. Chutam mendigos e prostitutas na rua. E da\u00ed por diante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o estou defendendo a volta da educa\u00e7\u00e3o r\u00edgida e sem di\u00e1logo, pelo contr\u00e1rio. Acredito piamente que crian\u00e7as e adolescentes tratados com um amor real, sem culpa, tranquilo e livre, conseguem perfeitamente entender uma san\u00e7\u00e3o do pai ou da m\u00e3e, um tapa, um castigo, um n\u00e3o. Intuem que o amor dos adultos pelas crian\u00e7as n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 prazer &#8211; \u00e9 tamb\u00e9m responsabilidade. E quem ouve uns n\u00e3os de vez em quando tamb\u00e9m aprende a diz\u00ea-los quando \u00e9 preciso. Acaba aprendendo que \u00e9 importante dizer n\u00e3o a algumas pessoas que tentam abusar de n\u00f3s de diversas maneiras, com respeito e firmeza, mesmo que sejam pessoas que nos amem. O n\u00e3o protege, ensina e prepara.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por mais que seja dif\u00edcil, eu tento dizer n\u00e3o aos seres humanos que cruzam o meu caminho quando acredito que \u00e9 hora &#8211; e tento respeitar tamb\u00e9m os n\u00e3os que recebo. Nem sempre consigo, mas tento. Acredito que \u00e9 a\u00ed que est\u00e1 a verdadeira prova de amor. E \u00e9 tamb\u00e9m a\u00ed que est\u00e1 a solu\u00e7\u00e3o para a viol\u00eancia cada vez mais desmedida e absurda dos nossos dias.<\/p>\n<\/blockquote>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Final de ano tudo fica mais intenso: muuuito servi\u00e7o do trabalho, muitos trabalhos na faculdade, isso inclui relat\u00f3rios de est\u00e1gio, projeto para TCC, provas, correria de final de ano b\u00e1sica. 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