nandabalieiro

755 posts

a menina groupie

Hoje estava limpando a sacada e Bruno limpando o resto da casa quando ele diz: hey Siri, play nirvana. Fui teletransportada para  20 anos atrás. rsrs até reclamei porque, porra, que fase escrota essa de 20 anos atrás. Eu era feliz sim, estudava em um colégio que sempre sonhei.  Mas eu era um peixe fora d’água.  Fiz muitos amigos naquela época, mas não tenho contato com mais nenhum. Então acho que não era tãão meus amigos assim né.  Sinto que eu também não era amiga de ninguém, então nem cobro. Mentira, tenho um grande amigo. Que inclusive é padrinho da minha filha. Mas essa é história pra outro chopp. 

Voltando ao Nirvana, um dia eu mandei uma carta para uma revista de rock pedindo para me corresponder com quem gostava de Nirvana ou Guns and rose. Recebi umas 500 cartas gente. Pensa, todo dia umas 20 cartas naquelas caixinhas de correio de metal. O carteiro me chamava no portão porque não conseguia enfiar todas as cartas ali Ahahhahaha. não respondi nenhuma. Não tinha grana pra botar selo. 

Me lembro de um moleque baterista que por um tempo foi meu primo (outra história, outro chopp) que vivia me falando: “você gosta de guns mesmo? Então fala uma música de cada CD que você gosta. Como chama o guitarrista?” Tipo tentando provar pro mundo que eu não gostava tanto assim porque afinal eu não sabia o nome dos caras, nem a comida preferida deles. Meu cú. Sefodê né. Desde aquela época os macho  hétero top tentava me calar.

E eu só gostava das músicas. Eu ouvia e curtia. Eu me emocionava com as músicas, eu dançava e queria pular quando eu ouvia. Eu sentia as músicas E eu não sabia quem era o baterista, o baixista, eu só curtia. Mas tinha 14 anos né, lá fui eu decorar o nome dos integrantes pra ter o direito de gostar.

Esses dias uma amiga  disse que ser adolescente é pertencer. Ser igual pra ser aceito. 

Minha filha tem seis anos e o que eu mais repito pra ela é bem diferente dessa frase acima. Claro que a gente precisa pertencer, mas em um grupo diverso. Não precisa todo mundo usar all star pra fazer parte do grupo (sim, eu usei e até usaria de novo). Se quiser, até pode, mas tem que partir de uma escolha.

Escolhas, ainda que idênticas dentro de um grupo, precisa partir do pressuposto do querer.  É tão difícil isso né. 

Isso sem nem entrar na conversa de que somos genuinamente diferentes mesmo, inclusive quando não optamos ser. 

Se não, fica todo mundo idiota fazendo dancinha de tik tok. 

Por um mundo em que a gente possa gostar das músicas das bandas sem conhecer o nome guitarristas. 

a menina comedora de massinha

Clarice tem um defeito de fábrica. Um probleminha desde bem pequena. Um pequeno detalhe: ela come massinha. Sim, come massinha. Qualquer uma. Com glitter, caseira, a cheirosa, a fedida. Ela pega um pedacinho e come. Veja bem, quando ela era menor ela comia porque né, bebês botam tudo na boca. Cresceu e aprendeu que massinha não é alimento. Mesmo assim, ela come massinha. Ela brinca, faz os moldes, inventa histórias, e de repente, em dado momento, ela dá uma lambida. Em seguida, coloca um pedacinho na boca.

Ela tem seis anos. Quase sete. Faz contas matemáticas que muitas vezes chocam as pessoas ao seu redor. E come massinha.

Mais uma vez: ela sabe que não pode comer. Sempre que ganha uma massinha nova, “promete” que não vai comer, que só vai brincar. Ela AMA brincar de massinha, e muitas vezes tiramos dela e jogamos fora pelo fato de ter virado alimento. É chororô em seguida.

Da última vez que compramos ela,  pecado, disse que ia brincar de máscara para não comer. Ela é tão lógica nas soluções, mas não consegue colocar em prática. Quando vê, já comeu. Já me disse que não consegue se controlar.

E é isso mesmo. O cérebro da criança não faz o que ela quer. Não esta pronto, desenvolvido. Muitas vezes, nós, adultos com raiva, interrompemos um comportamento da cria achando que ela estrategicamente pensou para realizá-lo. E era apenas um cérebro que não obedece aos comandos porque não está todo pronto.

Longe de mim dizer que tudo bem, come aí a massinha, em um mundo de corona vírus ainda. Mas o que eu queria registrar aqui (inclusive pra mim mesmo), que muitas vezes nos resta acompanhar, vigiar, acolher e bora pra frente. É com o tempo que as coisas dão certo, já diria sei lá quem.

Sim, uma criança aprende tabuada e come massinha. E tá tudo bem.

O ócio na infância

Estava aqui, finalizando a  centésima reunião online – do dia –  durante a semana, quando Clarice me chama. Terminei e fui ver o que ela queria. Ela pediu pra eu balançar ela “radical” na rede. Ela pegou três pulseiras – uma vermelha, uma laranja e uma verde, e conforme ela ia me apontando as pulseiras eu deveria fazer o comando: parar, diminuir a velocidade ou seguir – radical é claro. No balanço da rede.

Clarice pode assistir TV durante a semana, um pouco antes do almoço. E durante a semana eu só deixo assistir Netflix. Primeiro, porque eu não estou vendo o que ela está assistindo e normalmente ela assiste as mesmas coisas no Netflix. É muito mais fácil controlar o Netflix do que YouTube. E segundo porque se ela assiste Youtube ela fica INSUPORTÁVEL. Não sei aí, mas tem cada canal IDIOTA indicado para crianças que dá vontade de chorar. E é óbvio, que ela gosta dos youtubers idiotas. Na minha visão rs então final de semana ela até assiste, mas normalmente fazemos outras coisas e ela nem lembra.

O impacto que a TV tem no comportamento dela é físico. Ela já é animadinha, se assiste um canal de games por exemplo, já fica loucona. Então o combinado é assim. Quando ela acorda, brinca até perto das 11h (e faz lição quando tem, tudo nos conforme).

Eu não estou aqui pra julgar ninguém que assiste TV não. O que acontece é que eu não dou contar de lidar com uma Clarice que assiste muita TV e YouTube. Então, pra facilitar a MINHA vida, eu limito rs

Ela é uma criança muito criativa, e eu credito isso ao fato de ter bastante tempo livre. Imagina diálogos, letras de músicas, brincadeiras. Mistura letras, números, legos, pelúcias, Inventa parques, rodovias, brinquedos. É a melhor coisa. Vê-la brincando, inventando, estar na platéia vendo uma infância lúdica é uma das coisas mais legais da minha maternidade.

Eu nunca vou me esquecer #parte4

Eu nunca vou me esquecer do dia que você pediu para Siri: “Ei siri, play matirio uor”, by Madonna ahahah E quando disse que a Nina morava no décimo andar e você no dezessétimo. Ou quando me disse que a música era minha porque eu era desafinada. A música que estava tocando do Legião Urbana “E esta justiça desafinada, é tão humana e tão errada”. Ou quando você estava em cima do cavalo de brinquedo e falou: “eu sou uma cavaleiradora”.

Eu não vou me esquecer de quando eu estava cantando a música Stupid Love, da Lady Gaga, e você me disse: você não está cantando conforme o padrão de repetição. E nem quando você me disse para eu colocar as músicas de natal para tocar que você ia ficar no sofá curtindo.

Eu nunca vou me esquecer de quando eu estava cantando a música da Bennee e falei la la la I’m Lucky chic, e você me corrigiu: não é Lucky, é lonely.

Eu nunca vou me esquecer de quanto você quis dar o nome para sua Sapinha nova de Xadreza. Porque ela iria ser amiga do Ludo rsrsrs. Ou quando você não deixou eu escolher a Potato para brincar porque a potato é sua VIDA (drama Queen ahahah).

Não vou me esquecer das noites antes de dormir, que você repete por diversas vezes que eu sou a melhor mãe de todas. Que me ama muito, sempre, até o infinito. Não vou me esquecer de quando te chamei por duas vezes brava porque você não me respondia, e de repente você disse: mamãe, assim você atrapalha minha concentração.

Não vou me esquecer de todas as perguntas: como se faz a televisão? porque as pupilas não param de se mexer?  como o coração consegue levar sangue para todos os cantinhos do corpo? faz umas continhas pra mim pra eu mostrar como eu sou boa em matemática?

Tudo isso eu iria me esquecer, mas escrevo aqui para sempre reler e lembrar o quanto a vida é mais divertida com você, minha pequena.

Biblioteca de Clarice – parte 1

Sempre me perguntam dos livros de Clarice. Sim, eu invisto muito dinheiro em livros. Primeiro, porque em casa todos gostamos. Segundo, livro né. Terceiro, livros infantis são lindos, e cada vez mais me apaixono. As vezes compro mais por mim do que pela Clarice rs Mas vamos lá, vou atualizando o post conforme for comprando os livros. Vou separar por categorias.

Protagonistas Negros

Um dos nossos autores favoritos, Oliver Jeffers