Clarice

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a menina comedora de massinha

Clarice tem um defeito de fábrica. Um probleminha desde bem pequena. Um pequeno detalhe: ela come massinha. Sim, come massinha. Qualquer uma. Com glitter, caseira, a cheirosa, a fedida. Ela pega um pedacinho e come. Veja bem, quando ela era menor ela comia porque né, bebês botam tudo na boca. Cresceu e aprendeu que massinha não é alimento. Mesmo assim, ela come massinha. Ela brinca, faz os moldes, inventa histórias, e de repente, em dado momento, ela dá uma lambida. Em seguida, coloca um pedacinho na boca.

Ela tem seis anos. Quase sete. Faz contas matemáticas que muitas vezes chocam as pessoas ao seu redor. E come massinha.

Mais uma vez: ela sabe que não pode comer. Sempre que ganha uma massinha nova, “promete” que não vai comer, que só vai brincar. Ela AMA brincar de massinha, e muitas vezes tiramos dela e jogamos fora pelo fato de ter virado alimento. É chororô em seguida.

Da última vez que compramos ela,  pecado, disse que ia brincar de máscara para não comer. Ela é tão lógica nas soluções, mas não consegue colocar em prática. Quando vê, já comeu. Já me disse que não consegue se controlar.

E é isso mesmo. O cérebro da criança não faz o que ela quer. Não esta pronto, desenvolvido. Muitas vezes, nós, adultos com raiva, interrompemos um comportamento da cria achando que ela estrategicamente pensou para realizá-lo. E era apenas um cérebro que não obedece aos comandos porque não está todo pronto.

Longe de mim dizer que tudo bem, come aí a massinha, em um mundo de corona vírus ainda. Mas o que eu queria registrar aqui (inclusive pra mim mesmo), que muitas vezes nos resta acompanhar, vigiar, acolher e bora pra frente. É com o tempo que as coisas dão certo, já diria sei lá quem.

Sim, uma criança aprende tabuada e come massinha. E tá tudo bem.

O ócio na infância

Estava aqui, finalizando a  centésima reunião online – do dia –  durante a semana, quando Clarice me chama. Terminei e fui ver o que ela queria. Ela pediu pra eu balançar ela “radical” na rede. Ela pegou três pulseiras – uma vermelha, uma laranja e uma verde, e conforme ela ia me apontando as pulseiras eu deveria fazer o comando: parar, diminuir a velocidade ou seguir – radical é claro. No balanço da rede.

Clarice pode assistir TV durante a semana, um pouco antes do almoço. E durante a semana eu só deixo assistir Netflix. Primeiro, porque eu não estou vendo o que ela está assistindo e normalmente ela assiste as mesmas coisas no Netflix. É muito mais fácil controlar o Netflix do que YouTube. E segundo porque se ela assiste Youtube ela fica INSUPORTÁVEL. Não sei aí, mas tem cada canal IDIOTA indicado para crianças que dá vontade de chorar. E é óbvio, que ela gosta dos youtubers idiotas. Na minha visão rs então final de semana ela até assiste, mas normalmente fazemos outras coisas e ela nem lembra.

O impacto que a TV tem no comportamento dela é físico. Ela já é animadinha, se assiste um canal de games por exemplo, já fica loucona. Então o combinado é assim. Quando ela acorda, brinca até perto das 11h (e faz lição quando tem, tudo nos conforme).

Eu não estou aqui pra julgar ninguém que assiste TV não. O que acontece é que eu não dou contar de lidar com uma Clarice que assiste muita TV e YouTube. Então, pra facilitar a MINHA vida, eu limito rs

Ela é uma criança muito criativa, e eu credito isso ao fato de ter bastante tempo livre. Imagina diálogos, letras de músicas, brincadeiras. Mistura letras, números, legos, pelúcias, Inventa parques, rodovias, brinquedos. É a melhor coisa. Vê-la brincando, inventando, estar na platéia vendo uma infância lúdica é uma das coisas mais legais da minha maternidade.

Biblioteca de Clarice – parte 1

Sempre me perguntam dos livros de Clarice. Sim, eu invisto muito dinheiro em livros. Primeiro, porque em casa todos gostamos. Segundo, livro né. Terceiro, livros infantis são lindos, e cada vez mais me apaixono. As vezes compro mais por mim do que pela Clarice rs Mas vamos lá, vou atualizando o post conforme for comprando os livros. Vou separar por categorias.

Protagonistas Negros

Um dos nossos autores favoritos, Oliver Jeffers

Carta para Clarice – mês 72

Filha, seis anos.

Hoje passamos o dia todinho juntas. Grudadinhas. Eu me pego lembrando do dia que você chegou, que eu vi seu rostinho pela primeira vez. Eu fui tomada por um amor, simplesmente por você existir. As dificuldades que vieram a seguir, a privação do sono, a nova vida, como tudo mudou.

Hoje sinto que nem vivi aqueles dias, talvez tenha esquecido. Mas sei o quanto foram importantes. Eu te amava simplesmente porque você existia. No início fui tomada por uma escuridão. Não sabia o que fazer. Hoje eu sei. Eu não sabia como sentir, tinha medo. Aos poucos fomos melhorando, fui me informar (privilégio né), buscar informação, lendo, transformando como eu via as suas necessidades.

Transformei a minha forma de ver a infância. Busquei dar prioridade para você, para sua infância, para que minhas dores não falassem mais alto.

É muita nostalgia ver fotos e vídeos de você tão pequenininha. Você tem crescido tão rápido. A infância dura tão pouco tempo e é a base para toda uma vida. Vamos aproveitar cada dia mais. Isso você tem ensinado diariamente.

Eu nunca me doei tanto a alguém. É tão bom viver e crescer com uma menininha como você ao meu lado. Porque eu já estudei muito nessa vida, mas nunca aprendi tanto como aprendo com você.

A montanha russa da maternidade é power demais. Não quero romantizar tudo isso. As mulheres seguem invisíveis para a sociedade patriarcal e as crianças massacradas nessa história. Não é e nunca será culpa sua. Você está apenas sendo criança nesse mundo patriarcal opressor.

Hoje quero dizer que te amo, o quanto te amo, incondicionalmente.

Você veio ao mundo através de mim e eu sou absurdamente honrada por isso. Eu sou sua mãe e não importa o que você faça, o que aconteça, nada pode fazer com que eu deixe de te amar.

Você é livre para ser você!

Eu serei sua mãe e seu Porto Seguro para sempre.

Eu amarei você para sempre, do jeitinho como você é.

Você é a minha pessoa favorita desse mundo.

Que possamos todos os dias celebrar a sua vida.

Top 10 – Livros preferidos da Clarice

Clarice aos cinco anos já leu mais livros do que muito adulto por aí rs e é claro que sabemos que isso é um puta privilégio, porque livros no Brasil são caros. Muito caros. Mas é um dinheiro muito bem investido. Quem me acompanha no Instagram fernandabalieiro sabe que livros são um assunto muito recorrente por lá. Nós lemos diariamente desde que Clarice era bem pequenininha. Todos os dias antes de dormir, escolhemos um livro para ler. É um momento super especial, de conexão, conversa, risadas. Criei até uma tag no Goodreads para acompanhar as leituras dela, preciso atualizar, mas alguns dos nossos livros favoritos já estão por lá.

Esse ano, no dia do livro, fiz um post no Instagram e pedi para ela escolher os seus livros favoritos do momento. Caso você se pergunte como fazer uma criança gostar tanto de livros, acredito que trata-se de um caminho. Que gostar de ler é um processo que se dá por exemplos (você lê na frente dos seus filhos?) e disponibilidade. Infelizmente envolve uma boa grana, como já mencionei ali em cima (livros não são baratos mesmo), mas vale a pena escolhê-los ao presentear uma criança, por exemplo. Clarice tem livros desde que nasceu. E livros na idade certa estimulam, ativa a imaginação, curiosidade. Tenho várias fotos na tag #claricelendo no Instagram, e é uma das coisas mais lindas que gosto de rever. É essa geração que vai mudar esse mundo aí gente! Confia e vai. Se quiser, me indica um livro que seu filho gosta pra gente aumentar nossa biblioteca,. Deixa a indicação aí nos comentários do post (alguém ainda comenta em blog? ahahaha)

Ahn, os livros escolhido por ela, que estão ali na foto de cima, e outros cinco que ela também ama, mas que fui eu que incluí na lista, todos aqui embaixo. (todos super recomendo, são lindos):

Quando o sol acorda no céu das savanas, uma luz fina se espalha sobre a vegetação escura e rasteira.  O dia aquece, enquanto os homens lavram a terra e as mulheres cuidam dos afazeres domésticos e das crianças. Ao anoitecer, tudo volta a se encher de vazio, e o silêncio negro se transforma num ótimo companheiro para compartilhar boas histórias.

Esse livro é lindo. As ilustrações são incríveis, sempre que lemos imaginamos o que nós iríamos encontrar se viajássemos pelo mundo como Obáx. E que na nossa imaginação, tudo pode acontecer.

Comprei esse livro Clarice ainda nem sabia andar rs eu já seguia algum tempo a autora e sou simplesmente apaixonada pela sua escrita leve, linda, cheia de interpretação.  E Clarice simplesmente AMOU. Por muito tempo foi su livro preferido, até hoje está entre os preferidos. Sempre amou ver as ilustrações, com o tempo foi entendendo porque Monstro Rosa fugiu de casa, e onde era muito mais legal viver. E aos poucos vamos fomos falando de diferenças, de que cada um tem seu jeito, sua cor, suas preferências. E que cabe a nós respeitar o que cada um é, como cada um é.  Monstro Rosa é mais do que uma história sobre como as diferenças podem unir as pessoas, mas um verdadeiro grito de liberdade.

Não me lembro exatamente porque comprei esse livro, acho que vi em algum ranking que era um dos mais vendidos (sou dessas) e comprei. Achei a capa linda também. E quando chegou e fomos ler, eu chorei. Clarice já sabia ler e ela quem leu a primeira vez. Eu consigo lembrar do cheiro, da roupa, do momento que lemos juntas. Se você perguntar seu livro preferido, é esse que ela vai responder. “Essa é a primeira vez / Que no mundo tem você / E eu imagino as maravilhas / Que você vai fazer.”  De corajosas e ousadas a criativas e sagazes, as rimas poéticas de Emily Winfield Martin expressam todos os sentimentos cheios de amor que pais têm por seus filhos. E realmente são rimas lindas, compreensivas, que expressam o amor incondicional que temos por nossos filhos. Mesmo se eles se transformarem em planetas, lápis ou o que for, sempre os amaremos. Que mensagem linda. Esse livro é um encanto.

Comprei despretensiosamente esse livro e nos apaixonamos. Uma menininha que quer ser livre, fazer as coisas do seu jeito. Identificou alguma semelhança por aí? ahahahaha O problema é que depois desse livro Clarice nunca mais quiser prender o cabelo rsrs disse que quer ser igual a Selvagem rsrs

Depois de lermos toda a coleção de Livros Trace Moroney, achei que podíamos começar a ler o Emocionário. E Clarice simplesmente amou. Desde que ela era muito novinha nós nomeamos os sentimentos por aqui. Deixamos o sentir livre, buscamos alternativas para vivermos alguns sentimentos, e confesso que estou aprendendo juntamente com ela (assunto para outro post). E o Emocionário é um livro com tantos sentimentos que nem eu sabia que existiam tantos assim rsrs Vale muito a pena

Extras – minhas indicações